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segunda-feira, 19 de março de 2012

Ana (Significado em Hebreu: graça)


 
            A vida de Ana, embora seja mencionada apenas nos dois primeiros capítulos de 1º Samuel, fala conosco de forma veemente. Permanece até hoje como um exemplo de devoção e sacrifício; ela nos ensina o que significa o verdadeiro compromisso com o Senhor do Universo.
            Ana era amada esposa de Elcana, um zufita (descendente de Coate, filho de Levi). Viviam na região montanhosa de Efraim (1ºSamuel 1:1). Ele tinha outra esposa, chamada Penina, que lhe dera vários filhos. Ana, porém, era estéril (1ºSamuel 1:2).
            Elcana e toda sua família subiam anualmente a Silo, a fim de adorar a Deus e oferecer sacrifícios. Ele amava Ana profundamente e lhe dava uma porção dobrada das ofertas do Senhor. Isso, entretanto, não a consolava, pois nessa peregrinação anual, Penina a provocava e aborrecia continuamente (1º Samuel 1:1-7). O motivo de tanta provocação é que Ana era estéril, e Penina dava muitos filhos à Elcana, isso muito aborrecia a Ana, levando-a até às lágrimas.
            Numa dessas ocasiões em Silo, Ana entrou no Tabernáculo do Senhor. Com a alma profundamente angustiada ela derramou seu coração diante de Deus. Em meio às muitas lágrimas, orou, pedindo ao Senhor que lhe desse um filho. Prometeu dedica-lo a Deus todos os dias da existência dele (“E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao SENHOR o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.” -1ºSamuel 1:11).
            Não era uma dedicação simples. Este voto interpretava a renúncia dela de criar o filho junto consigo em casa. Ele se tornaria um narizeu, totalmente devotado ao serviço do Senhor. Ela o oferecia a Deus, pois abria mão do privilégio de cria-lo e alimenta-lo.
            Eli, o sumo sacerdote, sentado na porta do Tabernáculo, a observava atentamente, enquanto ela orava e chorava. Os lábios dela se moviam, mas não se ouvia sequer uma palavra. Ele então a acusou de estar embriagada e a repreendeu, apresentando-lhe à imoralidade de tais hábitos (1ºSamuel 1:12-14). Ana porém se defendeu apropriadamente e o sacerdote no mesmo instante mudou sua maldição numa benção e a despediu em paz.
            Ao receber o encorajamento da parte de Eli e o conforto do Senhor, Ana não ficou mais deprimida. No tempo determinado, Deus atendeu ao pedido de Ana: ela concebeu e deu à luz a Samuel (seu nome significa “pedido ao Senhor”). Realmente ele representava a resposta da oração.
            Finalmente chegou o tempo de Ana cumprir sua palavra. Depois que Samuel desmamou (antigamente as mulheres israelitas amamentavam os filhos até completarem dois ou três anos de idade), ela fez os preparativos para leva-lo ao Tabernáculo, em Silo. Levou consigo três bezerros, um efa de farinha e um odre de vinho para o sacrifício. Então apresentou Samuel ao sumo sacerdote Eli (1º Samuel 1:24-27).
            O menino Samuel viveria sob a supervisão de Eli e ministraria no Tabernáculo todos os dias da vida dele (1 Sm.1:28). A cada ano sua mãe fazia uma pequena túnica e a levava para ele quando ia com o marido a Silo oferecer sacrifícios. O Senhor foi gracioso com Ana e posteriormente ela deu a Elcana mais três filhos e duas filhas (1 Sm.2:21).
            Ana era uma mulher extraordinária, em sua integridade, fé e compromisso com Deus. Manteve seu voto a um grande custo pessoal e tornou-se um modelo para todas as gerações.
            A oração de Ana em 1º Samuel 2:1-11(“Então orou Ana, e disse: O meu coração exulta ao SENHOR, o meu poder está exaltado no SENHOR; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação. Não há santo como o SENHOR; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus. Não multipliqueis palavras de altivez, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o SENHOR é o Deus de conhecimento, e por ele são as obras pesadas na balança. O arco dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força. Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos; até a estéril deu à luz sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu. O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.”)
            Ana buscou humildemente a Deus e esperou pelo livramento dele. Portanto, o Senhor por fim a abençoou com mais cinco filhos. 1º Samuel 2:5ª fala da mulher estéril que se torna mãe de sete filhos; entretanto, nas Escrituras, o numero “sete” nem sempre deve ser interpretado literalmente e muitas vezes pode simbolizar “realização ou ideal”. Por tudo isso, Ana provavelmente pensava em si mesma quando fez tal declaração.
Penina por outro lado, era orgulhosa e arrogante. Ela, que tinha muitos filhos, seria despojada de sua vitalidade e desprezada. Finalmente, seria destruída juntamente com todos os inimigos de Deus.
            A oração de Ana é verdadeiramente um sacrifício de gratidão a Deus, que a resgatou de seus problemas, mudou suas lágrimas em alegria e a colocou em seu lar como mãe de muitos filhos, feliz e realizada.


GARDNER, PAUL. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
Ana, pág. 49,50.
Ed. Vida acadêmica.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Lucas - O historiador


LUCAS
Lucas foi um dos líderes da Igreja Primitiva e acompanhou Paulo em várias viagens missionárias. Ambos eram amigos, e o apoio de Lucas foi um encorajamento para o apóstolo. Tradicionalmente, Lucas é considerado o “médico amado” – “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.” (Cl. 4:14), é inclusive homenageado por algumas faculdades católicas de medicina no dia de São Lucas.
Existem, entretanto, apenas três referencias especificas a Luca no Novo Testamento. Ao escrever para Filemom, Paulo claramente o mencionou, junto com Marcos, Aristarco e Demas, como “meus cooperadores” (Fm 24). De acordo com 2 Timóteo, o apóstolo mencionou com uma atitude de apreciação a presença de Lucas, quando disse “Só Lucas está comigo” (2 Tm. 4:11).
O prólogo antimarcionita declarava que Lucas era nativo de Antioquia da Síria, que jamais se casou e morreu em Boeotia (um distrito a Grécia antiga), com 84 anos de idade. Lucas era um discípulo dedicado e demonstrou grande interesse pela formação e pelo desenvolvimento da Igreja.
Embora pouco se saiba sobre o passado de Lucas, descobre-se muitas coisas sobre seus interesses e preocupações quando se lê os dois livros do Novo Testamento de sua autoria – o Evangelho de Lucas e o livro de Atos. Os dois juntos constituem cerca de 27% do NT.
Lucas, o historiador - deve-se uma atenção especial ao prefácio do Evangelho de Lucas. Lucas tencionava apresentar um relato das origens históricas do cristianismo que tivesse um elevado grau de credibilidade (note seu uso do termo grego tekmeria, que significa “provas infalíveis”, em Atos 1:3). Desta maneira deu cuidadosa atenção à confiabilidade histórica e é considerado o historiador por excelência do Novo Testamento. Deixou claro que o cristianismo deve ser compreendido contra o plano de fundo tanto da história judaica como romana (Lc. 2:1; 3:1,2; At. 10:1; 11:19; 26:26).
Lucas, o artista literário – sua maneira leve de apresentação não estava limitada apenas à narrativa histórica. Era evidente também nas parábolas contadas por Jesus. A maioria das narrativas mais conhecidas chegaram a nós por meio de Lucas: “o rico insensato” (Lc. 12:16-21), “a figueira estéril” (13:6-9), “a grande ceia” (14:16-24), “o mordomo infiel” (16:1-9) e “os servos inúteis” (17:1-10). Alguns exemplos encontrados exclusivamente em Lucas são inesquecíveis, como as parábolas do “bom samaritano” e do “filho pródigo”.
Lucas era um poderoso comunicador e usa uma variedade de materiais, como registros históricos, tradições orais, parábolas, pregações de antigos cristãos e lembranças de testemunhas oculares para compartilhar a mensagem sobre Cristo e o surgimento da comunidade cristã.
A ênfase de Lucas na alegria – este tema repete-se por todo o seu evangelho e no livro de Atos. É impressionante como frequentemente ele usa o verbo “alegrar-se”, para descrever a diferença que Jesus fazia na vida de seus seguidores (Lc. 6:23; 10:20; 13:17; 15:5,32; 19:6). Lucas acreditava que a fé cristã tencionava trazer não somente o perdão dos pecados, mas também a alegria e o regozijo à vida diária.
Em Atos, a recepção do Evangelho de Cristo também era acompanhada pela alegria. Isto ficou evidente quando Filipe proclamou a Jesus e teve uma resposta favorável em Samaria: “Havia grande alegria naquela cidade” (At.8:8). Da mesma maneira o eunuco etíope após sua conversão e seu batismo, “jubiloso, continuou o seu caminho” (At.8:39). Atos 16:34 e 5:41, também são exemplos a alegria citada por Lucas em tantos outros trechos.
A ênfase de Lucas na oração – Lucas é chamado de “o evangelista da oração”. Embora todos os evangelhos revelem Jesus como um homem de oração e afirmem a função que ela exerce, Lucas demonstra com maior ênfase a importância da oração na vida de Cristo e na Igreja cristã. Lucas mantém seu interesse pela oração, no livro de Atos, onde encontramos muitos elementos da súplica, inclusive adoração (27:35; 28:15), confissão de pecado (19:18), petição (9:11,13-16; 10:31; 22:10) e intercessão (7:60; 12:5; 27:23-25; 28:8). O nascimento da Igreja foi resposta da oração. A escolha de Matias, como substituto de Judas Iscariotes, foi feita depois de intensa oração (At. 1:12-26). Lucas era enfático em insistir sobre a importância da oração no ministério de Jesus e na comunidade cristã. Em sua visão, Deus usava a súplica fiel de seu povo para estabelecer seu reino na Terra.
O interesse de Lucas pelo Espírito Santo – uma grande ênfase é dada ao testemunho externo do Espírito Santo. Os sinais e maravilhas operados pelos apóstolos e seus cooperadores eram uma expressão desse testemunho. O espírito tomou aqueles que anteriormente foram fracos e sem poder e deu-lhes “ousadia” para falar corajosamente sobre Jesus. Isso foi verdade com relação a Pedro e João (At. 2:29; 4:9,10,13), Estevão (6:10),Filipe (8:30-35), Barnabé e Paulo (13:46;14:3) e os apóstolos em geral.
A convicção universal de Lucas – Lucas tinha uma forte convicção de que a mensagem do cristianismo não deveria limitar-se apenas a um povo ou a uma região. Isso o levou a enfatizar a natureza universal do Evangelho de Cristo. Ele acreditava que era uma mensagem para as pessoas de todas as raças (estudiosos concluem que o próprio Lucas era gentio). “E toda a humanidade verá a salvação de Deus” (Lc. 3:4-6).
Quando o Espírito foi derramado no dia de Pentecostes, os convertidos naturalmente levariam a mensagem do cristianismo para seus países de origem. O curso dos eventos registrados em Atos indica a expansão gradual do Evangelho às regiões dos gentios. A perseguição que se levantou contra a Igreja após a morte de Estevão serviu para dispersar os crentes por toda a Judéia e Samaria (At. 8:1). A conversão de Saulo (Paulo) é contada três vezes em Atos, para enfatizar a importância de seu papel na disseminação do Evangelho. A Igreja espalhou-se rapidamente para Antioquia, Chipre, Ásia Menor, Macedônia, Acaia e Itália, e alcançou desde a capital religiosa dos judeus (Jerusalém) até a capital política dos gentios (Roma).
A compaixão de Lucas – intimamente relacionada com a preocupação de Lucas com todas as raças e classes estava sua compaixão. Ele via em Jesus o exemplo máximo de tal comportamento, Jesus era profundamente preocupado com os desfavorecidos, os explorados e os marginalizados. Não é surpresa que Lucas tenha descrito tantas cenas de banquete, pois a mesa da refeição era a expressão perfeita do amor e da aceitação (Lc. 7:36-50; 10:38-42; 11:37-54; 14:1-14; 19:1-10). Lucas acreditava que havia “uma amplitude na misericórdia de Deus”, e esta dimensão se refletia em sua graça e misericórdia que alcançariam todos os que respondessem a elas.
A ênfase de Lucas em Cristo como Salvador e Redentor – Finalmente, há grande ênfase na salvação, nos escritos de Lucas. A redenção pela vinda de Jesus não se restringiria apenas ao povo judeu, pois abrangeria toda a família humana (3:6). A vinda de Cristo desafiou as pessoas a se arrepender, se quisessem experimentar o perdão (5:32). Jesus, como filho do homem, declarou ter a autoridade para proclamar esse perdão (5:20-26).
Em atos, também anunciou poderosamente esta mensagem de redenção. Mensagem que foi levada, em círculos cada vez mais amplos, até os confins da Terra, e as pessoas se convertiam das trevas para a luz, “e o poder de satanás a Deus” (At. 26:18).
Os dois livros escritos por Lucas abordaram muitos temas. Além de excelente escritor e historiador fiel, ele era também, um bom teólogo, que percebeu o plano e o propósito de Deus e tentou deixar isso claro aos seus leitores.
GARDNER, PAUL. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
Filipe, o evangelista, pág. 413 a 419.
Ed. Vida acadêmica.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Filipe, o evangelista.

Nessa biografia, dando sequencia às que foram postadas anteriormente, iremos ler a respeito da vida de Filipe ( o evangelista ) que foi um dos 7 homens escolhidos no livro de Atos, para serem diáconos na Igeja e Jerusalém, naquele episódio em que Estevão, também, foi um dos escolhidos.
Peço desculpa aos irmãos pelo fato de ter feito uma enquete na intenção de escolher a próxima biografia que seria postada e acabei não obedecendo o resultado da enquete, mas isso deve-se à pouca quantidade de votos, durante uma semana apenas 3 pessoas votaram, então resolvi dar sequencia às biografias postadas anteriormente, pois se observarmos bem, todos citados (Paulo, Estevão e Filipe) tem ligação e são mencionados no livro de Atos.
Também chamado de diácono, Filipe é mencionado pela primeira vez em Atos 6:3-5 - “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia;”.
Os apóstolos perceberam que o trabalho de administração da Igreja em Jerusalém era muito pesado; portanto, precisavam de ajuda. Muitas pessoas convertiam-se ao Evangelho. Os cristãos de origem grega reclamaram que suas viúvas eram desprezadas na distribuição diária de alimentos. Os apóstolos observaram que perdiam muito tempo na solução desse tipo de problema (Atos 6:2 – “E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.”). Portanto 7 homens foram indicados e escolhidos entre os que eram “cheios do Espirito Santo e sabedoria”. Os apóstolos oraram e impuseram as mãos sobre eles e os nomearam para o serviço social da Igreja.
            Este incidente é uma interessante indicação de quão cedo na vida da Igreja houve reconhecimento de que Deus dá diferentes “ministérios” e “dons” a diversas pessoas. E esta divisão de tarefas só ajudou na realização da obra de Deus, o versículo 7 de atos 6 indica o sucesso dessa divisão de tarefas: “De sorte que crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava rapidamente o numero dos discípulos...”.
            Quando começaram as primeiras perseguições contra os cristãos em Jerusalém (na época em que Estevão foi martirizado), Filipe dirigiu-se para Samaria, onde rapidamente tornou-se um importante missionário. Perto do final do livro de Atos, Paulo e Lucas o visitaram em Cesaréia, onde vivia e era conhecido como “evangelista” (At. 21:8).
            Atos 8 mostra um pouco do que Filipe fez em Samaria (vemos nesse capitulo, mais uma vez, a ligação que a morte de Estevão teve com os fatos que vem a seguir, como a propagação do evangelho através da dispersão daqueles orientados pelos apóstolos e a conversão de Saulo que logo após se tornara Paulo). Proclamou o evangelho, operou milagres e desenvolveu um ministério que mais parecia o de um apóstolo do que de um cooperador ou administrador. Seu trabalho naquela localidade foi especialmente importante para a mensagem de Atos. Lucas mostra como a Grande Comissão foi cumprida sob a direção do Espírito Santo. Atos 1:8 registra o mandamento de Jesus para os discípulos, a fim de que fossem testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria, e até os confins da Terra. Por meio de Filipe, esse testemunho chegou a Samaria. Muitas pessoas se converteram por meio de sua mensagem. Posteriormente, os apóstolos Pedro e João, foram até lá e confirmaram que o Evangelho era aceito de bom grado pelos gentios e samaritanos.
            Enquanto estava em Samaria, Filipe enfrentou um problema com um mágico chamado Simão, o qual, quando viu os milagres operados por ele, creu e batizou-se. Não se sabe ao certo se sua conversão foi genuína, pois mais tarde ele é duramente repreendido por Pedro (At. 8:20-24).
            Filipe também teve a oportunidade de pregar para um eunuco etíope. Provavelmente foi por meio deste homem que mais tarde o evangelho se espalhou por toda a Etiópia, pois aquele cidadão era um importante oficial do governo e estava a caminho de sua casa (At. 8:27,28). O fato de que Filipe era realmente um homem “cheio do Espírito Santo” é visto na maneira como o Espírito o levou a falar com o eunuco, que viajava em sua carruagem. Ele lhe expôs as Escrituras do Antigo Testamento à luz do advento de Cristo; o eunuco creu e foi batizado. A referencia a Filipe como “o evangelista” em Atos 21:8 indica claramente que bem mais tarde em sua vida ainda era amplamente reconhecido por seu zelo missionário.
GARDNER, PAUL. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
Filipe, o evangelista, pág. 227 e 228.
Ed. Vida acadêmica.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ESTEVÃO

Antes de tudo peço que os irmãos que estão dispostos a conhecer um pouco mais de Estevão estejam como uma Bíblia ao lado, pois o texto a seguir indicará algumas leituras bíblicas para melhor entendimento do personagem. Grato pela atenção, e boa leitura e entendimento.


É um dos personagens mais proeminentes do Novo Testamento. O seu discurso é o mais longo do livro de Atos (At.7:2-53). Sua vida e trabalho são destacados em Atos 6 e 7, embora sua perseguição e morte sejam mencionadas mais tarde em Atos 11:19; 22:20 (como vimos em um trecho do personagem da semana passada que foi Paulo).
Estevão chegou à proeminência nos primeiros dias da Igreja Cristã, quando a comunidade se desenvolvia e experimentava os problemas e as dificuldades constantes. Uma das tensões surgidas foi em consequência da acusação de que as viúvas de origem grega eram esquecidas na distribuição diária de alimentos (At. 6:1) – “ORA, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.” Como resposta a essa critica, os doze apóstolos reuniram toda a congregação, apresentaram abertamente o problema e propuseram uma solução razoável: “Escolhei, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At. 6:3,4). A aceitação da comunidade permitiu a escolha destes homens e dentre eles estavam Estevão e Filipe.
            Quando o problema foi contornado, a Igreja de Jerusalém experimentou um crescimento extraordinário: “De sorte que crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava rapidamente o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At. 6:7).
            Conforme Lucas esclarece, Estevão estava profundamente envolvido em todo o crescimento da Igreja de Jerusalém para Antioquia (At. 6:1 a 12:25). Lucas dedica uma considerável atenção ao testemunho de Estevão (6:8 a 7:60), descrevendo em detalhes sua prisão (At. 6:8-15), sua brilhante “defesa” (At. 7:1-53) e seu martírio (At. 7:54-60).
            Estevão não somente era um homem prático, hábil em lidar com administração da Igreja e a obra social, mas também interessado na pregação do Evangelho aos outros. Atos 6: 8 – “E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Isso dava à sua palavra uma notável credibilidade, mas também suscitava a oposição dos judeus conservadores, preocupados com o novo movimento cristão, e invejosos por causa da evidente popularidade de Estevão e de seu carisma. Atos 6: 10 – “E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava.” Determinados a atacar e enfraquecer seu trabalho, instigaram uma campanha feita as ocultas, ao fazer graves acusações contra Estevão e alegar que blasfemava “contra Moisés e contra Deus”. Atos 6: 11 – “Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.” Conseguiram, então que ele fosse preso, a fim de anular seu radiante testemunho de Cristo e transformá-lo em algo hostil à Lei mosaica. Atos 6: 14 – “Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu.”  O fato inegável, entretanto, é que Estevão manteve sua compostura diante do Sinédrio, e seus inimigos reconheceram sua santidade: “... fixando os olhos nele, viram o seu rosto como rosto de um anjo” (At. 6: 15).
            O discurso de Estevão em sua defesa é uma memorável recapitulação da história judaica e uma defesa ousada da fé cristã diante de seus acusadores. Ao ser questionado pelo sumo sacerdote se as acusações eram verdadeiras ou falsas, Estevão faz uma magnifica confissão de fé em Cristo e mostra um triste quadro de constantes escorregões por parte do povo de Deus e aponta a rejeição deles ao Messias prometido, como o trágico clímax de uma longa história de apostasia e desobediência (At. 7: 2-53) VALE A PENA ACOMPANHAR O TEXTO INDICADO.
            O discurso tem três partes principais: a primeira refere-se aos patriarcas (At. 7: 2-16); a segunda a Moisés (At. 7: 17-43); e a terceira ao Tabernáculo e ao Templo). Essa revisão histórica é seguida pela repreensão por manterem a mesma atitude com relação ao advento de Cristo (At. 7: 51-53). A repreensão no final foi uma tentativa de fazer com que os judeus encarassem sua dureza de coração e a rebelião que mantinham contra o Espírito Santo. Realmente era um chamado ao arrependimento e à fé, o qual lamentavelmente caiu em ouvidos surdos. Seu discurso e aula de teologia de nada adiantaram para livra-lo da condenação. Numa explosão de fúria, eles o atacaram, arrastaram-no para fora da cidade e o apedrejaram até a morte (Atos 7: 54, 58). Estevão morreu na presença de Saulo de Tarso (Paulo), o qual “também consentia na morte dele” (Atos 7: 60; 8: 1). Posteriormente Paulo se tornou cristão (como vimos no estudo passado).. A morte de Estevão provavelmente foi um dos motivos que o levaram a Cristo.
            Vários aspectos são notados aqui. Primeiro, Estevão, agiu como o Senhor. Falou a verdade em seu julgamento, perdoou seus agressores, clamou em voz alta e entregou seu espírito. Esta entrega recebeu uma ênfase cristocentrica em Atos, a qual é particularmente surpreendente: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At. 7: 59). Estevão viveu, sofreu e morreu por Cristo; no momento da morte, olhou para o Senhor para a vindicação final.
            Dois outros elementos também são notados aqui. Um é o testemunho de Estevão. Lucas registra em seu livro as palavras de Jesus: “Digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos e de Deus” (Lc. 12: 8). Estevão, diante de seu martírio, reivindicou ousadamente essa promessa e pediu a Jesus, o Filho do homem, que o reconhecesse no céu, na presença de Deus, como verdadeiro discípulo. O outro elemento é que a vida de Estevão estava claramente sob o total controle do Espírito Santo.
            O heroísmo e a coragem de Estevão diante dos oponentes e sua atitude amorosa para com os inimigos – tudo isso faz dele um modelo digno de um discípulo fiel, um obreiro efetivo e um nobre mártir.


GARDNER, PAUL. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
Ed. Vida acadêmica.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Paulo - Exemplo de propagação do Evangelho de Cristo

A seguinte postagem, faz parte da mais nova coluna do nosso blog, onde vamos conhecer mais intimamente alguns personagens bíblicos, um por semana, baseado no livro cedido pelo nosso pastor Israel (Quem é quem na Bíblia Sagrada) nessa semana conheceremos mais de Paulo, exemplo fiel de como devemos nos dedicar a propagação da palavra de Deus e do exemplo de Cristo. Lamento pelo texto ter ficado longo, mas é realmente muito interessante, vale a pena tirar um tempo do seu dia e ler o resumo da  biografia.

Judeu, fariseu, mencionado pela primeira vez no livro de Atos com seu nome hebraico – Saulo (At. 7:58 – “E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo.”) Nasceu em Tarso, Cilícia, cidade localizada na Asia Menor (atualmente sul da Turquia). Provavelmente nasceu uns dez anos depois de Cristo, pois é mencionado como “um jovem”, na ocasião do apedrejamento de Estevão (trecho bíblico citado anteriormente, At. 7:58). Seu pai sem dúvida era judeu, mas comprou ou recebeu a cidadania romana. Por essa razão, Paulo mais tarde utilizou-se desse deireito por nascimento. Por isso, apelou para ser julgado em Roma pelo próprio imperador César (At. 22:25 – “E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?”) A despeito de sua cidadania, ele foi criado numa família judaica devotada, da tribo de Benjamim. Recebeu uma instrução cuidadosa na lei judaica e tornou-se fariseu (Fariseus: conhecidos por sua ferrenha oposição ao Cristianismo, fama que rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa "fariseu", comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo que são julgados como religiosos aparentes.)
Paulo era tão zeloso da Lei e de sua fé que, em certa época de sua vida provavelmente no inicio da adolescência, viajou para Jerusalém, onde foi aluno do mais famoso rabino de sua época. (At. 22:3). Todos os mestres judaicos exerciam determinada função para sobreviver; por isso não é de se admirar que esse líder religioso altamente educado na palavra, aprendesse também uma profissão com seu pai. Paulo era fabricante de tendas (At. 18:3 - E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas). Existem amplas evidencias nessa e em outras passagens (1 Co. 4:12; 2 Ts. 3:8) de que ele trabalhava para não impor um jugo sobre as pessoas entre as quais desejava proclamar o Evangelho de Cristo (1 Co. 9:16-19 – “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho. Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.”)
            Com a educação que possuía e a profissão de aceitação universal, é bem provável que Paulo já tivesse viajado bastante antes de se tornar cristão. Com certeza era fluente nas línguas grega, hebraica, latina e aramaica – o que facilitou suas viagens evangélicas em favor do cristianismo. Mas antes de se tornar um dos mais fiéis seguidores da Palavra de Deus, Paulo era ferrenho seguidor daqueles que aceitavam a Jesus Cristo. A partir da morte de Estevão, uma grande perseguição se levantou contra os seguidores de Cristo e Paulo fazia parte dos judeus que perseguiram os cristãos (At. 8:3 – “E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.”)
            A caminho de Damasco, uma luz muito forte brilhou no céu ao redor dele, e fez com que ele caísse por terra e ficasse cego. Enquanto isso, uma voz lhe disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atônito, ele perguntou: “Quem és tu Senhor?” A resposta que recebeu, deixou-o realmente surpreso e apavorado: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At. 9:4,5). Cristo então lhe disse que entrasse em Damasco e aguardasse outras instruções. Saulo esperou três dias sem comer nem beber, na casa de Judas, onde aguardou a visita de Ananias. Esse tempo sem comer nem beber provavelmente foi um jejum de arrependimento, pois a Bíblia diz que, quando o servo de Deus chegou, encontrou-o orando. Ananias impôs as mão sobre ele, ocasião em que sua visão foi restaurada. Imediatamente ele recebeu o Espirito Santo e foi batizado. Saulo ainda ficou vários dias na companhia dos cristãos de Damasco, sem dúvida para aprender o máximo que podia de Jesus. E logo, nas sinagogas pregava, que Jesus era o filho de Deus. Paulo pregava e discutia abertamente com os judeus, até ser ameaçado de morte por duas vezes, em Damasco e posteriormente em Jerusalém. Depois dessa segunda ameaça, os discípulos o levaram para Cesaréia, onde embarcou num navio para Tarso. Agora disposto a propagar o evangelho de cristo, quem sofria com as perseguições era ele. A rapidez com que Paulo dedicou-se a viajar pelos territórios gentílicos é mais uma indicação de que o Espírito Santo o guiava em direção ao seu chamado, ou seja, o de apostolo entre os gentios. A Bíblia relata três grandes viagens missionárias feitas por Paulo, que na mais humilde intenção plantava a semente por onde quer que fosse. Ao término da terceira viagem, assim que chegou a Jerusalém, a profecia de Ágabo se cumpre. Os judeus instigaram a oposição e o apostolo foi preso para sua própria proteção, no meio de um tumulto contra ele que quase o levou a morte. E, mesmo nessa ocasião, mais uma vez pediu a palavra e pregou ao povo falando de sua conversão e chamado ao ministério para os gentios. E agora quem sofria com perseguições por seguir a cristo, era Paulo (que a um tempo atrás perseguia). Paulo chegou a ficar dois anos em prisão domiciliar, quando foi mandado a Roma, para julgamento (prisão na qual ele tinha permissão para receber visitas, e se aproveitou do fato para continuar pregando o evangelho.) Tudo leva a crer que após julgamento Paulo foi solto e ficou cerca de três anos em liberdade, foi quando escreveu as cartas a Filipenses, a Timóteo e a Tito. Então quando o cristianismo foi realmente considerado ilegal Paulo foi novamente preso e levado de volta a Roma, onde escreveu 2 Timóteo, provavelmente nessa época foi condenado a morte. 2 Tm. 4:17,18 – “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. E o SENHOR me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.”
            O legado de Paulo para o mundo é enorme. Além do fato de ter levado a verdade do Evangelho a praticamente todo o mundo conhecido daquela época, também escreveu cartas significativas, as quais chegaram até nós como parte do canôn do Novo Testamento. Certamente Paulo foi o maior mestre da fé cristã depois do próprio Senhor Jesus Cristo. Chamado para proclamar o evangelho aos gentios. Para o apostolo, Cristo era a única resposta. Ele era o foco e o poder da vida de Paulo e, acima de tudo, aquele que morreu para que ele recebesse o perdão e encontrasse a justificação na vida eterna e no último dia.
GARDNER, PAUL. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
Ed. Vida acadêmica.


Semana que vem conheceremos um pouco mais de Estevão, personagem citado no início do texto referente a Paulo, descobriremos porque ele foi condenado ao apedrejamento (apedrejamento que Paulo participou antes de se converter ao cristianismo).